Por que missa de cura?

Enquete

A Igreja nos recomenda a prática do jejum. João Paulo II, mesmo já em idade avançada, jejuava. Por que a prática do jejum é importante para você?
 



Por que missa de cura?
Questões de Fé

Missa de cura: o que dizer?

A expressão “Missa de Cura e Libertação” entrou em nosso vocabulário católico nos últimos anos, não apenas no Brasil mas em diversas partes do mundo, sobretudo por influência do movimento carismático ou pentecostal católico (no Brasil: RCC), que nasceu nos Estados Unidos alguns anos após o término do Concílio Vaticano II (1967). Há muita confusão a respeito – de um lado, por puro preconceito (muitos nunca leram nada sobre o assunto!), e por outro fanatismo (há pessoas que só valorizam as celebrações em que há orações especiais!).
Para uma visão objetiva e serena do movimento carismático em geral, recomenda-se, dentre outros: Juanes SJ, Benigno, Que é a renovação carismática católica? Fundamentos, Ed. Loyola, S. Paulo, 1994. Para um estudo mais aprofundado sobre o tema da cura no pentecostalismo católico, sugere-se o clássico: MacNutt OP, Francis, É Jesus que cura, Ed. Loyola, S. Paulo, 1993 (original inglês: 1974), no qual o autor é peremptório: “A hora mais indicada para as curas é a da celebração da Missa mais do que qualquer outra ocasião que eu conheça – o momento em que Jesus Cristo se encontra mais especificamente entre nós” (p. 286). Há relatos de possíveis curas físicas que se deram através da Eucaristia em: DeGrandis SSJ, Robert – Schubert, Linda, A cura pela Missa, Ed. Loyola, S. Paulo, 200023, Introdução (original revisto inglês: 1992). Os autores propõem um jeito simples de rezar durante a Comunhão:
“Feche os olhos e concentre-se em Jesus. (...) Entregue-se, perca-se em sua penetrante presença interior. (...) Creia comigo que o poder de cura que emana de Jesus toca-nos, liberta-nos da culpa, da dúvida, do ódio por nós mesmos, da autocondenação. (...)” (p. 135).

Uma rápida olhada pela internet (web) nos confirma o amplo uso da expressão “Missa de cura” (e libertação):


Exemplo 1
Missa de Cura e Libertação - Grupo de Oração RCC


Artigos - Notícias Gerais
Como é maravilhoso quando em uníssono se encontram os anseios da comunidade com o carisma do sacerdote. Foi isso que presenciamos na última quinta-feira, dia 14 de fevereiro, na celebração da primeira Missa de Cura e Libertação, celebrada por nosso recém-chegado vigário paroquial, padre Anderson, na retomada dos encontros do grupo de oração..
O salão paroquial foi pequeno para acolher os que se fizeram presentes na celebração. Muitos permaneceram no corredor lateral da casa.
Como expôs padre Anderson, os desígnios de Deus são insondáveis e a ação do Espírito Santo presente e eficaz. Ele, que na Paróquia Bom Jesus, no bairro de Pedreira, participava das atividades da RCC, é, logo após a ordenação sacerdotal em 8 de dezembro de 2007, indicado para exercer seu ministério na Paróquia Sagrado Coração de Jesus.
Enquanto isso, na Paróquia Sagrado coração de Jesus, a RCC estava em compasso de espera de que algo acontecesse e revigorasse os grupos de oração. Uma parcela expressiva da comunidade ansiava pela volta dos encontros dos grupos e das missas de Louvor, Cura e Libertação.
Como relatou o padre Anderson em sua homilia, na hora certa, veio a consulta  do Pároco, Monsenhor Joaquim, sobre seu interesse em desenvolver esse trabalho na paróquia e, não haveria necessidade de que continuasse seu relato, pois seus olhos, seu sorriso, todo ele era a mais perfeita expressão da imensa alegria que esse convite lhe proporcionou.  
A celebração foi um intenso momento de louvor e adoração, onde os fiéis oraram,  cantaram, agradeceram, receberam a bênção do Santíssimo, assistidos pelos membros intercessores da RCC, que se achavam ali presentes.
No evento, para surpresa de todos, tivemos a alegria de ter entre nós, participando e animando a celebração, os cantores católicos, Walmir Alencar, do Ministério Adoração e Vida e  Nando Mendes, que nos últimos anos tem atuado efetivamente em grupos da RCC.
Enquanto acontece a reforma da igreja, o grupo se reunirá todas as quintas-feiras, às 20h, no salão paroquial, não havendo ainda uma data determinada para as missas de Cura e Libertação, mas que provavelmente acontecerão às sextas-feiras.  
Agradecemos a dedicação e o entusiasmo do padre Anderson que em boa hora chega para completar com seu carisma  o atendimento aos fiéis , desenvolvendo seu ministério apostólico em  comunhão com Monsenhor Joaquim e padre Ednaldo.
http://www.paroquiascj.com.br/index.php?Itemid=35&catid=6:notas-gerais&id=128:missa-de-cura-e-liberta-grupo-de-ora-rcc&option=com_content&view=article


Exemplo 2
HOJE: 3ª Missa pela Cura com padre Edimilson

Arquivado em: Missa — Missão - São Paulo at 9:26 pm on quarta-feira, março 19, 2008
Acontece todas as quartas-feiras, a Missa pela Cura de todas as enfermidades fisícas, com padre Edimilson Lopes e Comunidade Canção Nova, que está sendo celebrada durante 7 semanas.
Hoje (19), será celebrada a 3ª Missa. Deixe o seu comentário com a sua intenção para esta celebração!
[ Você pode acompanhar a Santa Missa pela Rádio América AO VIVO pela Internet. Acesse: america.cancaonova.com ]
As Missas tem início às 20h e acontecem na Catedral Maronita Nossa Senhora do Líbano que fica na rua Tamandaré, 355 - Liberdade (A estação de metrô mais próxima é a São Joaquim).
Informações pelo telefone: (11) 3382-9800 ou pelo e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
http://blog.cancaonova.com/saopaulo/2008/03/19/hoje-3%C2%AA-missa-pela-cura-com-padre-edimilson/


Exemplo 3
Há vídeos de Missa de Cura, como p. ex. do Pe. Rosival Gomes, de Eunápolis (BA):
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=199655 (acesso: Curitiba-PR, 2.04.2009, 14h30min)


Pelo que se pode notar, tais celebrações eucarísticas não diferem substancialmente das demais; deixando de lado desvios ou abusos, parece que há apenas mais músicas, expressões corporais, ministerialidade leiga, potenciando-se momentos já presentes na Sagrada Liturgia (acolhida, perdão, louvor, intercessão, ação de graças); por vezes ocorrem manifestações carismáticas, pretensas ou reais (“oração/canto em línguas”, “profecia”, “cura”); ao seu término (durante a ação de graças ou após a Oração Pós-Comunhão) se intercede explicitamente pela cura física, psíquica e espiritual dos presentes (cantos, orações, manifestações carismáticas), com ou sem bênção aos fiéis individualmente, com ou sem exposição (e procissão) com o Santíssimo Sacramento.
Em 1994 a CNBB emanou o documento “Orientações pastorais sobre a Renovação Carismática Católica” (doc. 53), no qual se recorda que a S. Liturgia “abre amplo espaço para a criatividade” (n. 40), ao mesmo tempo em que se oferecem indicações precisas sobre o “dom da cura” (nn. 58-61) – mas sem referência explícita às tais “Missas de Cura e Libertação”. É bom lembrar que o referido documento é oferecido a todos para ser “aprofundado” (n. 6), e, do ponto de vista canônico, tem valor apenas indicativo, e não normativo, pois compete apenas à Santa Sé legislar de modo definitivo sobre matéria litúrgica, e o documento 53 não recebeu nenhuma confirmação explícita da Sé Apostólica.
Em 1997 o Arcebispo Paul Josef Cordes, que por 10 anos exerceu o cargo de consultor episcopal para a Agência da Renovação Carismática Internacional, lançou o livro Reflexões sobre a Renovação Carismática Católica, no qual recorda que “a própria eucaristia é sacramento de cura, pois o Senhor da vida está presente com Sua humanidade sofredora e o poder de Sua Ressurreição”, ao mesmo tempo que pontualiza:
“Quando os sacramentos são colocados em seu lugar pleno e apropriado na vida de fé, os carismas de cura encontram seu lugar de direito na vida da comunidade cristã. Devem ser recebidos como continuação bastante normal do ministério do Senhor, que Ele confiou à Sua Igreja. Quando reconhecemos pela experiência de fé que Deus pode curar e cura, vemos os próprios sacramentos em sua dimensão plena como fontes de cura e salvação para todos e como instrumentos vivos para a evangelização” (Ed. Loyola, S. Paulo, 1999, pp. 70s; cf. p. 36). Há uma impostação positiva sobre os carismas de cura e a dimensão medicinal dos sacramentos (a Eucaristia, portanto, incluída), mas nenhuma referência explícita a “Missa de cura”.

No ano de 2000 a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Instrução Sobre as orações para alcançar de Deus a cura, aprovada pelo Papa João Paulo II. Em suas disposições disciplinares (parte II) recorda que o bispo diocesano “tem o direito de emanar para a própria Igreja particular normas sobre as celebrações litúrgicas de cura, conforme o cân. 838, par. 4” (Art. 4, par. 1); o Art. 7, par. 1, determina taxativamente: “não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia...”, a não ser durante a “oração universal” ou “dos fiéis” (id., par. 2). Neste caso o peso é assaz maior, já que a Igreja se pronuncia de um modo mais explícito sobre o argumento e põe a sua chancela oficial sobre o mesmo.
Em espírito de comunhão e participação, os carismáticos católicos se debruçaram mais sobre o tema, sobretudo em um colóquio internacional promovido em Roma no ano de 2001. Por isso em 2007 a Comissão Doutrinal do ICCRS (“International Catholic Charismatic Renewal Services”), encorajada pelo Monsenhor Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, lançou as Diretrizes para orações de cura, assinadas pelo seu presidente, Michelle Moran, e pelo Bispo Joseph Grech, de Sandhurst (Austrália), membro do citado ICCRS. O texto indica as diversas circunstâncias em que se costuma orar pedindo a Deus a cura (em seus diversos níveis), dentre eles os “contextos litúrgicos” (III,2); exemplifica: “Missas anunciadas como Missas de Cura, com orações litúrgicas para os enfermos e com a imposição de mãos após a comunhão ou no final da Missa” (2º item); “Orações pelos doentes após o término de uma Missa não diretamente relacionada com cura: após o final da Missa...” (5º item). Mais adiante (III,3) comenta:
“As orações de cura realizadas em contextos litúrgicos, conforme descrito acima, devem assegurar que o Espírito Santo e o Santíssimo Sacramento não sejam instrumentalizados para o benefício das orações de cura, mas respeitados em sua finalidade adequada, que é a de trazer o fiel para uma comunhão espiritual com Cristo. O Artigo 7 da Instrução objetiva disciplinar tais abusos, sem proibir o exercício dos carismas de cura nos contextos litúrgicos descritos acima” (Ed. RCC Brasil, 2008, pp. 38s). Este documento, contudo, não foi aprovado explicitamente pela Santa Sé, embora tenha uma significativa relevância doutrinária-pastoral.

Vê-se que paira ainda uma certa oscilação a respeito da matéria. É de se desejar que a Santa Sé, através de algum dos seus dicastérios (a Congregação para o Culto Divino, a Congregação para a Doutrina da Fé e/ou o Pontifício Conselho para os Leigos), procurando auscultar a voz do Espírito, em sintonia com a tradição cristã, defina de uma vez:
1. Pode-se ou não utilizar a expressão “Missa de cura” (e libertação) e em que sentido – na minha opinião pessoal, poder-se-ia utilizar, com as devidas ressalvas. Até se poderia pedir à Sé Apostólica a criação de um formulário próprio (como Missa votiva).
2. Em que momentos e de que modo, nestas Missas, se podem introduzir orações (de quaisquer gêneros) suplicando ao Senhor a graça da cura segundo a sua vontade e misericórdia – p. ex., na oração universal e também após a comunhão ou ao término da Santa Missa.
3. Quem pode ministrar tais orações – p. ex., qualquer padre (desde que não impedido para tal pelo Ordinário) ou leigos capacitados e autorizados pelo Ordinário (que poderia contar com o discernimento promovido por uma “Pastoral da intercessão” a ser criada em cada diocese, composta por integrantes escolhidos da Renovação Carismática e mesmo outros).
4. Quando devem ser realizadas: em horário especial, previamente anunciado aos fiéis – deixando sempre claro que em todas as Missas o Senhor pode dignar-se curar alguém.

Peço-Vos, pois, encaminhar uma petição semelhante à Santa Sé, para maior glória de Deus, o bem da Santa Igreja e a santificação dos fiéis – promovendo-se assim uma maior unidade na diversidade. Que estejamos atentos aos sinais dos tempos, no mais autêntico espírito conciliar!


 
Garlix Processsamento de Dados


Congregação dos Padres Marianos
Copyright © 2013