Pesquisa de Opinião

Em setembro a Igreja celebra o mês da Bíblia, e o que ela nos propõe é uma "leitura orante" para que possamos nos aproximar ainda mais dos desígnios de Deus. Com que frequência você costuma ler e meditar a palavra de Deus?
 
Revista Divina Misericórdia PDF Imprimir E-mail
Divina Misericórdia

Mãe de Jesus: modelo de vida cristã

Santa Faustina e a imitação de Maria

Pe. Jonas Eduardo, MIC

Vigário Paroquial do Sant. Divina Misericórdia

 

.........Em todos os tempos o homem sentiu o impulso de se espelhar em alguém que se destaque em um determinado aspecto da existência humana (experiência, habilidade, conhecimento, etc.), mas por vezes cai na repetição de aspectos secundários (postura, fala, gestos, vestuário, etc.). Esta última situação costuma brotar de fraquezas ou fissuras na personalidade, não favorecendo o crescimento pessoal. Já a primeira não constitui um problema em si, desde que não construamos uma imagem artificial (superficial) de nós mesmos, mas sim autêntica, pessoal, lembrados do que disse Montaigne (+1592, Ensaios): “Sou eu que pinto o meu retrato!” Adotar conscientemente a alguém como modelo ou referencial pode contribuir para a consolidação da minha maturidade humana e espiritual, desde que eu não transfira para o outro a responsabilidade pela construção da minha história, e que tal relação conduza a uma progressiva libertação das minhas (pre)ocupações egoístas ou egocêntricas.

.........A fé cristã oferece um maravilhoso modelo para o homem a fim de que possa mais e mais se realizar neste mundo, numa aventura em que se entrelaçam liberdade-consciência humanas, circunstâncias-condições histórico-cósmicas e graça-misericórdia divinas. Jesus Cristo revela quem ele é convidado a ser, efetivamente, na condição de “Adão definitivo”, ou seja, aquele que cumpre em plenitude o eterno projeto divino para o gênero humano. Deste modo, o Filho de Deus e filho do homem se torna a luz que devemos seguir (cf. Jo 13,15; 15,12; Mt 5,48; 1Pd 2,21; 1Jo 2,6), e todos os que de algum modo irradiam o seu esplendor nas suas ações e atitudes passam igualmente a ser referenciais.

.........Certamente as obras de um artista não são todas idênticas, mas trazem caracteres comuns que nos remetem ao seu autor. Na vida cristã algo semelhante se dá. Pedro e Paulo, por exemplo, encarnaram muitos dos traços de Cristo (sem deixar de serem Pedro e Paulo!), de modo que podem até recomendar explicitamente a um jovem (1Tm 4,12: “modelo”) e aos anciãos (1Pd 5,3: “modelos”) que sejam luz para todos; Paulo chega a se colocar como referencial para diversas comunidades: “Sede meus imitadores” (1Cor 11,1). Nada há de nocivo se enquadrarmos a imitação ética-espiritual de um cristão em seu justo contexto: não é o ponto de partida, mas um dos frutos que brotam ao longo do seguimento de Jesus (cf. Mt 16,24), caminho que fazemos em comunidade, e assim nos tornamos luz um para o outro (cf. Mt 5,14-16).

.........De tudo isto se depreende facilmente a relação entre cada ser humano, especialmente os batizados, e aquela que é Mãe do Senhor, Cheia de Graça, Bem-aventurada, Bendita porque acreditou. Desde os seus primórdios, a comunidade cristã fixou sua atenção em Maria. Paulatinamente floresce na Igreja o amor por Maria que vai assumindo – sobretudo a partir do século III, em meio às sangrentas perseguições – as formas de veneração (reconhecimento de sua santidade divina), invocação (da sua oração e proteção) e imitação. Assim, para Orígenes, Maria é “a mais digna entre os filhos de Deus” (In Lc Homil. VII); e S. Ambrósio de Milão exorta as consagradas: “Imita-a [a Maria], ó filha” (De instit. virgin., 14). É bom lembrar que as verdades de fé (“mistérios”) hão de ser acolhidas em nossa vida individual e comunitária, o que dá origem tanto à veneração cultual (liturgia, devoções) como à veneração existencial (que inclui a imitação). Maria se torna modelo cristão porquanto desponta, na plenitude dos tempos e no início da Igreja, como Aquela que, mais do que Abraão, acreditou, amou e esperou contra todas as evidências.

.........Em Santa Faustina Kowalska encontramos o testemunho de uma espiritualidade mariana que engloba variadas dimensões – veneração, invocação e imitação. Para ela, Jesus é o modelo “perfeitíssimo” (D. 1351; 1483), e por isso – como a lua que reflete a luz solar – Maria também se destaca no cenário. Ela afirma: “...apenas a fiel imitação de Ti me santificará” (D. 161, cf. D. 874; 1232). Uma virtude de Maria que deseja imitar é a “mansidão” (D. 1398). A própria Mãe de Deus lhe recomenda outras qualidades suas que devem ser imitadas: humildade, pureza, amor (D. 1414s; 1624), dentre as quais se destaca a humildade (D. 1306). Um dos frutos mais excelentes de sua imitação é o crescimento no conhecimento de Deus e na comunhão com Ele: “Quanto mais imito Nossa Senhora, tanto mais profundamente conheço a Deus” (D. 843. cf. 454; 561). Encontramos aqui um eco da genuína espiritualidade mariana de S. Luis Maria Grignion de Montfort (+1716): “...a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é santa; leva uma alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes da Santíssima Virgem” (Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, n. 108).

.........Como filha de Deus e membro da Igreja, Maria caminha conosco; ao mesmo tempo, somos convidados a caminhar como Maria, pois, na condição de “modelo”, ela “indica o que a Igreja é chamada a ser”, afirma a teóloga Elizabeth A. Johnson. Em meio a toda maldade e confusão precisamos de um acessível referencial humano que nos possa inspirar e nortear. Que neste terceiro milênio Maria seja para todos os cristãos a estrela da manhã ou estrela do mar, em meio às lutas e desafios do cotidiano.

 

Texto publicado na Edição nº 7, Ano II - Agosto de 2009- da Revista Divina Misericórdia.

 

Clique aqui e assine a Revista da Divina Misericórdia

 


 

Apostolado da Divina Misericórdia
Fone: (41) 3348-5043  ::  Fax: (41) 3348-4303

Santuário da Divina Misericórdia
R. Estrada do Ganchinho, 570, Umbará, Curitiba, PR
Fone: (41) 3348-2784

Garlix Processsamento de Dados